Helena tinha 54 anos e Roberto, 57. Trinta anos de casamento, dois filhos criados, uma casa cheia de histórias e uma gaveta de meias onde, desde o ano passado, morava um segredo.

Naquele sábado, enquanto Helena estava no cabeleireiro, Roberto procurava o carregador do relógio e abriu a gaveta errada. Ali, no fundo, embrulhado numa meia, estava um objeto pequeno, de silicone rosa, com um bico arredondado. Ele virou na mão, curioso, e entendeu. Ficou um tempo parado, sorrindo sozinho.

Em vez de guardar de volta, ele colocou o sugador no bolso e começou a planejar.

Quando Helena chegou, a casa estava em penumbra. Velas acesas no corredor, jazz baixinho, uma garrafa de espumante no gelo e uma mesa posta para dois, com as taças do casamento.

— Roberto, o que é isso?

— Vinte e sete anos, minha linda. Hoje a noite é nossa.

Jantaram devagar, com as pernas se tocando por baixo da mesa. Depois do segundo brinde, ele pegou a mão dela e disse, com a voz calma:

— Achei uma coisa na sua gaveta.

Helena ficou pálida. O garfo parou no ar.

— Roberto, eu... isso é... eu ia te contar. Eu nunca soube como falar. Achei que você ia ficar bravo, achei que ia pensar que eu...

— Que você o quê?

— Que eu precisava de outra coisa além de você.

Ele riu baixinho, balançou a cabeça e beijou a palma da mão dela.

— Helena, eu fiquei foi feliz. Passei trinta anos querendo te ver se soltar de verdade, e você tinha esse mundo guardado e nunca me convidou. Eu não fiquei bravo. Fiquei com vontade.

Os olhos dela marejaram, e uma risada nervosa escapou.

— Sério?

— Sério. E hoje eu quero que você me convide.

Ela respirou fundo, e o peso de um ano inteiro saiu do peito. Levantou, deu a volta na mesa, sentou no colo dele e o beijou, devagar, com um alívio que se transformou em outra coisa.

Foram para o quarto abraçados. Roberto a fez sentar na beira da cama e se ajoelhou na frente dela. Tirou os sapatos dela, um de cada vez, e massageou seus pés com o polegar, subindo pelos tornozelos, pelas panturrilhas, até o joelho. Helena fechou os olhos. Fazia muito tempo que ele não a tocava com tanta atenção.

— Você tem um cheiro que eu conheço há vinte e sete anos — ele disse, com o rosto encostado na coxa dela. — E ainda me deixa tonto.

Ele abriu o vestido dela pelas costas, devagar, beijando cada pedaço de pele que aparecia. Deitou-a de bruços e, com um fio de óleo morno, desenhou a coluna dela com os dedos, subindo e descendo. Passou os lábios pela nuca e mordiscou de leve o ombro. Helena se arrepiou inteira, o corpo amolecendo sob as mãos dele.

Depois ele a virou de frente e pegou uma das taças. Deixou escorrer uma gota de espumante gelado no colo dela, e a gota desceu até o vão dos seios. Ele a seguiu com a língua, bebendo da pele. Helena ofegou, a barriga subindo e descendo. Ele repetiu na barriga, no umbigo, na curva do quadril, e cada vez o frio da bebida e o calor da boca faziam as pernas dela se abrirem um pouco mais.

— Roberto...

— Calma. Eu quero te ouvir pedir.

Ele beijou a parte interna das coxas, subindo devagar, sem pressa. Quando chegou onde ela mais queria, soprou de leve, só o ar quente, e Helena gemeu alto, enterrando os dedos no cabelo grisalho dele. Só então ele a tocou com a boca, com a língua lenta e molhada, em círculos suaves, alternando pressão e leveza. O prazer foi subindo, morno, profundo, e ela se agarrou ao lençol, o quadril acompanhando o ritmo dele.

— Assim... não para...

Ele sentiu o corpo dela ficar tenso e então parou, sorrindo contra a pele.

— Ainda não. Tem mais.

Helena soltou um gemido de protesto e uma risada ao mesmo tempo. Roberto subiu, beijou a boca dela, e ela sentiu o próprio gosto nele. Ela o empurrou de costas e o despiu, o botão da camisa, o cinto, tudo. Beijou o peito dele, desceu pela barriga e o tomou nas mãos. Ele estava firme, quente, e ela o acariciou devagar, com a mão molhada de óleo, subindo e descendo enquanto os olhos dele se fechavam.

— Helena, meu Deus...

Ela o levou à boca, com carinho e sem pressa, a língua desenhando o contorno, os lábios apertando na medida certa. Ele gemeu grave, os dedos no cabelo dela, o peito subindo rápido. Quando sentiu que ele estava perto demais, ela parou e subiu sobre ele, olhando nos olhos.

— Pega.

Roberto abriu a gaveta da cabeceira, onde tinha deixado o sugador. Mostrou, e ela corou, mas sorriu.

— Quer que eu use em você?

— Quero — ela sussurrou, com a voz trêmula. — Eu nunca usei com ninguém.

Ele a deitou com cuidado, passou um pouco de lubrificante, ligou o aparelho e mostrou a ela o som baixinho. Colocou na menor intensidade, encostando o bico sobre ela, e a sucção suave começou.

Helena arregalou os olhos.

— Ai, meu Deus...

A sensação era como uma boca pequena e incansável, um sopro de ar puxando o prazer para a superfície, em pulsos rápidos e precisos. Ela nunca imaginou sentir isso com o marido. Cada pulso mandava uma corrente quente pelo quadril, pelas pernas, pelo ventre. Os dedos dos pés se curvaram.

— É bom? — ele perguntou, observando o rosto dela.

— É... muito... não sei explicar...

Roberto beijava o pescoço dela, os seios, ouvindo a respiração dela se descontrolar. Ele a viu perder o pudor aos poucos, a boca aberta, os gemidos mais soltos, o corpo de uma mulher que se permitia, finalmente, sentir tudo.

— Agora eu quero estar dentro de você — ele disse. — Com ele ligado.

Helena assentiu, sem conseguir falar.

Ele se posicionou entre as pernas dela e a penetrou devagar, e os dois gemeram juntos. Era um corpo que ele conhecia de cor, mas que naquela noite parecia novo. Colocou o sugador de volta no lugar e o ligou, e a sucção voltou, rápida, constante, enquanto ele se movia lá dentro, fundo e firme.

Helena arqueou as costas, e um grito saiu da garganta dela.

— Roberto! Eu... meu Deus, eu vou...

— Pode ir, amor. Pode ir.

Foram segundos. O orgasmo veio de uma vez, violento, a pegou de surpresa e a levou embora. O corpo dela se contraiu inteiro em volta dele, as pernas tremeram, e ela gritou o nome dele sem controle. Em seguida veio o calor molhado, abundante, escorrendo pelo quadril e encharcando o lençol, e ela cobriu o rosto, envergonhada e sem fôlego.

— Desculpa, eu... nunca me aconteceu isso...

Roberto desligou o aparelho e a beijou, orgulhoso, com os olhos brilhando.

— Não pede desculpa. Foi a coisa mais linda que eu já vi.

Ela riu, ainda trêmula, com lágrimas nos olhos.

— Você ainda não terminou.

— Não. Não terminei.

Ele a virou de lado, colou o peito nas costas dela e entrou de novo, devagar, num encaixe aconchegante. Helena sentiu o corpo ainda sensível, quase elétrico, e cada movimento dele a fazia gemer baixinho. A mão dele corria pelo seio dela, o braço a envolvia, a boca dele estava no ouvido.

— Você é a mulher da minha vida — ele sussurrou. 

O ritmo foi crescendo, os corpos suados se movendo juntos, a respiração dele cada vez mais pesada. Helena virou o rosto para beijá-lo, e os gemidos dele ficaram mais altos, mais graves. Ele a segurou pelo quadril, foi mais fundo, e ela sentiu o corpo dele tensionar.

— Helena... eu vou...

— Vem, meu amor. Vem.

Ele gozou com um gemido rouco, abafado no ombro dela, o corpo inteiro tremendo, apertando-a contra si como se quisesse fundir os dois. Ficaram assim, imóveis, só respirando.

Depois de um longo tempo, ela se virou de frente e passou o dedo pelo rosto dele, pelas rugas que conhecia uma a uma.

— Por que a gente demorou quase trinta anos?

— Porque agora a gente sabe o valor — ele respondeu, sorrindo. — E ainda temos muitos anos pela frente.

Ela riu, escondeu o rosto no peito dele e, no escuro, soltou o último segredo:

— Tem mais coisa naquela gaveta.

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