O celular ainda estava com a tela acesa em cima do sofá quando ela decidiu: chega.

A conversa tinha começado tão bem. Ele parecia engraçado, atencioso, daqueles que sabem escrever uma mensagem que faz a gente sorrir sozinha no meio do trabalho. Mas bastou marcarem de se ver para ele mostrar quem realmente era — arrogante, sem noção, achando graça em coisa que não tinha graça nenhuma. Camila cancelou o encontro com um “surgiu um imprevisto” educado, jogou o celular no sofá e soltou o ar que nem sabia que estava segurando.

— Sabe o que eu vou fazer? — falou sozinha, meio rindo da própria frustração. — Vou abrir aquele vinho, colocar um filme e não pensar em homem nenhum hoje.

Trocou de roupa, vestiu só uma camisola leve, serviu uma taça generosa e se jogou no sofá procurando algo na Netflix. Passou por umas séries, parou em 365 Dias. Sorriu de canto de boca — talvez fosse exatamente o clima que ela precisava. Nada de pensar no idiota do WhatsApp. Só ela, o vinho e uma noite pra si mesma.

Foi no segundo copo, já mais solta, as pernas dobradas embaixo do corpo no sofá, que ela lembrou. Tinha guardado na gaveta do criado-mudo aquele presente que tinha comprado pra si mesma semanas atrás e nunca tinha usado direito — o sugador Love, ela é bem fininho, anatômico, quase discreto de tão pequeno. Na loja ela tinha rido sozinha pensando “um dia eu uso”, e hoje parecia ser exatamente esse dia.

Foi até o quarto, pegou o aparelho, voltou pro sofá com ele escondido embaixo de uma almofada (como se tivesse mais alguem na casa que pudesse ver, rs), o coração já batendo um pouco mais rápido só de antecipação. Na tela, o filme continuava, os atores trocando olhares carregados de tensão. Ela deu mais um gole no vinho, se ajeitou, e deixou a camisola escorregar pelos ombros.

Ligou o aparelho no nível mais baixo primeiro, só pra sentir. Encostou na pele do pescoço e um arrepio subiu pela espinha inteira — gostoso, inesperado. Ela fechou os olhos um segundo, sorrindo pra si mesma. “Ok, isso aqui promete.”

Foi descendo devagar, sem pressa nenhuma. Passou pela clavícula, sentiu a pele toda se arrepiar em ondinhas. Ainda tímida, ainda testando, ela deixou o sugador brincar ali por um tempo, só sentindo cada micro-sensação, cada onda de calor pequena que ia se acumulando em algum lugar do corpo dela.

Quando finalmente encostou num dos seios, ela soltou um suspiro que surpreendeu até ela mesma. Era intenso — mais intenso do que ela esperava. A outra mão dela subiu sozinha, quase por instinto, apertando de leve, acompanhando o ritmo que o aparelho criava. Ela sentiu o próprio corpo esquentar, a respiração ficar mais pesada, e o filme na tela virou só um som de fundo, quase esquecido.

Ela foi descendo aquele aparelho que parecia tão inocente, até o clitoris, sua bbuceta estava encharcada, ela testou aumentar a intensidade — e quase! Ela se assustou. Era muito mais forte do que ela imaginava, e por um segundo o corpo dela reagiu tão rápido que ela teve que tirar o aparelho dali, se não ia gozar.

— Calma, calma… deixa eu aproveitar isso direito.

Porque não era sobre chegar rápido. Era sobre aquela noite ser só dela, sem pressa, sem ninguém pra agradar, sem fantasia nenhuma pra construir na cabeça. Só o corpo dela, reagindo puramente ao toque e ao seu novo Love.

Ela foi perdendo a timidez aos poucos. O Love passeava agora com mais liberdade — voltou ao pescoço, desceu pela lateral do corpo, brincou na curva da cintura. Cada lugar novo era uma descoberta de como ela reagia, de onde a pele era mais sensível, de que ritmo fazia o corpo dela se arquear sozinho contra o sofá. A outra mão continuava acompanhando, apertando, deslizando, criando um contraste entre o toque firme dos dedos e a sucção leve e precisa do aparelho.

A respiração dela foi ficando cada vez mais curta. O vinho esquecido na mesinha, o filme rodando sem que ela prestasse mais atenção alguma. Só existia aquele calor se espalhando, aquela vontade crescendo devagar e depois de repente acelerando.

Quando ela finalmente levou o sugador até o clitóris, não precisou pensar em nada. Não precisou imaginar ninguém, não precisou montar cena nenhuma na cabeça. Só o toque certeiro, anatômico, ali. O corpo dela reagiu na hora — as pernas se contraindo, a respiração travando, um gemido escapando antes que ela conseguisse controlar. Foi rápido, foi intenso, foi exatamente o que ela precisava depois de um dia daqueles: o orgasmo tomou conta dela em ondas fortes, sem aviso, sem cerimônia, deixando ela mole no sofá, o peito subindo e descendo rápido.

Ficou um tempo assim, só respirando, o corpo ainda formigando, um sorriso bobo no rosto que ela nem fez questão de esconder — afinal não tinha ninguém ali pra ver. O filme continuava rodando, os personagens na tela vivendo o próprio drama, mas ela já nem se importava com o final.

Terminou o resto do vinho com calma, o corpo leve, aquela sensação gostosa de quem resolveu alguma coisa consigo mesma. Foi tomar um banho morno, ainda sentindo os últimos resquícios de arrepio na pele, e quando finalmente se deitou, foi com a mente vazia de qualquer frustração — nem lembrava mais direito do nome do cara do encontro cancelado.

Dormiu rápido, profundamente, do jeito que só se dorme depois de uma noite em que a gente escolhe cuidar de si mesma.

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