por Bela
Eu preciso contar o que o Rafael fez comigo.
Preciso contar porque ainda estou sentindo. Porque passou horas e minha pele ainda está com memória de cada centímetro que ele tocou. Porque casamento de anos não te prepara pra isso — pra ser surpreendida dessa forma por um homem que você acha que já conhece todos os movimentos.
Eu não conhecia esse.
Foi numa sexta. Eu cheguei em casa cansada, aquele cansaço de semana inteira acumulado, e ele estava diferente. Quieto demais. Com um sorriso que eu conheço, mas que não aparece com frequência — aquele que significa que ele está planejando alguma coisa e não vai me contar o quê.
— Vai proquarto, — ele disse.
Não foi pergunta.
Entrei no quarto e a primeira coisa que eu vi foi a venda em cima da cama. Preta, de cetim. E do lado, as algemas.
Meu coração fez uma coisa que não sei nomear. Não era medo. Era o oposto do medo.
— Rafa…
— Vira de costas.
Eu virei.
Quando a venda desceu sobre os meus olhos, o mundo mudou de textura. É isso que acontece — você perde uma coisa e tudo o mais fica maior. O barulho da sua própria respiração. O calor da pele dele quando ele se aproxima. O som dos cliques das algemas nos pulsos, que me prenderam a cabeceira com uma firmeza que era também, estranhamente, uma espécie de alívio.
Eu não precisava fazer nada. Eu não tinha como fazer nada.
— Agora, — ele disse, e a voz estava baixa, perto do meu ouvido, — eu vou fazer o que eu quiser com você.
Eu engoli em seco.
Senti os lábios dele no pescoço primeiro. Devagar, sem pressa nenhuma, como se ele tivesse a noite inteira — e ele tinha, e eu também, algemada e vendada e sem escolha. Ele desceu pela clavícula, pela curva do ombro, voltou, e eu já estava com a respiração irregular, já estava querendo mais do que aquilo, mas ele não tinha a menor intenção de me dar o que eu queria no ritmo que eu queria.
Então eu senti.
As mãos dele na minha boceta, só passou, e depois saiu. Gemi de frustração. Derrepente comecei a sentir, minha buceta estava gelada, como se alguem estivesse fazendo sexo oral com halls preto, mas não estava. Era intenso, e dava vontade de me roçar em alguma coisa.
— O que é isso? — eu perguntei.
Ele não respondeu. Continuou.
Mas então começou outra coisa.
Primeiro foi sutil. Um formigamento. Leve, quase como se eu estivesse imaginando. Depois foi mais. A vulva inteira começou a pulsar — uma pulsação quente, ritmada, que eu sentia de dentro pra fora, e eu me mexi instintivamente, tentando fechar as pernas, mas ele estava ali.
— O que você usou em mim? — eu perguntei de novo, a voz já diferente.
Ele sorriu. Eu não vi, mas ouvi.
— Você é minha hoje, — foi tudo que ele disse.
A lubrificação desceu pela face interna da coxa. Eu senti. Estava encharcada de um jeito que me deixou sem vocabulário — o meu próprio corpo respondendo àquele gel, a essa coisa que ele havia passado em mim sem me avisar, e a pulsação não parava, ficava mais intensa, e eu não sabia se gemia por isso ou pelo que as mãos dele continuavam fazendo.
Ele beijou meu pescoço. A clavícula. Desceu pelo esterno, pelos lados da barriga.
E então parou.
Eu ouvi o som. Reconheci antes de sentir.
O bullet.
A vibração tocou o pescoço primeiro — suave, passando pela pele como uma pergunta — e eu arqueei antes mesmo de saber que estava arqueando. Ele desceu. Os ombros. A lateral da coluna, e eu fiz um som que não era bem um gemido, era mais profundo que isso. Os mamilos — Deus, os mamilos — e eu puxei os pulsos contra as algemas sem querer, com a vontade absurda de segurar a cabeça dele ali, mas não podia, não tinha como, estava presa e vendada e completamente à mercê. Ele passando aquele vibrador por todo meu copor, enquanto minha buceta pulsava freneticamente, era demais pra mim. Era tudo muito inteso.
Ele desceu mais.
A barriga. O umbigo. A parte interna da coxa, de novo, tão perto, e eu:
— Não para, vai — eu ouvi minha própria voz, rouca, implorando.
E ele tirou.
— Rafael.
— Você vai gozar só no meu pau, — ele disse. Simples. Definitivo.
Ele me virou.
De costas pra ele, a bunda encostada na ereção dele — dura, quente através do tecido — e os lábios dele voltaram pro meu pescoço por trás, e eu deixei a cabeça cair pra trás no ombro dele e fechei os olhos debaixo da venda como se fechá-los fizesse alguma diferença.
O bullet voltou pela frente. Mamilo direito, mamilo esquerdo, a parte interna dos braços, desceu pela barriga, pela raiz das coxas — em tudo, em absolutamente tudo, menos onde eu precisava.
— Não vou passar aqui, — ele disse, roçando perto sem tocar, — porque eu sei que você vai gozar e aí acaba a brincadeira.
— Me come logo, por favor — eu disse, e não tinha mais nenhuma dignidade na minha voz e eu não me importava.
Ele riu de novo. Mas dessa vez ele se moveu.
Quando ele entrou, eu senti cada centímetro.
Não é exagero. É que o gel ainda estava fazendo efeito, a pulsação ainda estava lá, e quando ele preencheu tudo aquilo que estava pulsando e vazio, a sensação foi tão intensa que eu precisei de um segundo só pra respirar. Ele ficou quieto um momento também — eu senti nos ombros dele, na forma como a respiração dele mudou.
- Você está encharcada, Bela. Que D-E-L-I-C-I-A. Disse ele, pausadamente.
Então ele pegou o bullet e colocou no meu clitóris.
Menos de um minuto.
O orgasmo não chegou — ele explodiu. De dentro pra fora, dos pés à cabeça, e eu gritei sem vergonha nenhuma e meu corpo inteiro se contraiu em volta dele e ele me segurou com as duas mãos nos quadris, enquanto metia o pau dele em mim, devagar, e bem fundo, enquanto eu me despedaçava.
Depois ele ficou quieto dentro de mim. Esperando.
Aquele pós-orgasmo que parece que você vai desaparecer — a cabeça leve, os membros pesados, a única vontade é ficar assim pra sempre. Mas a boceta continuava pulsando. Mesmo depois de tudo, ela continuava, como se o corpo soubesse que ainda não tinha acabado.
Ele começou devagar. Suave. E foi me trazendo de volta.
Quando eu estava de volta, ele perguntou, a voz no meu ouvido, baixa:
— Posso?
Eu soube o que era.
— Hoje você come o que você quiser, — eu disse.
Ele saiu de mim — e eu senti a falta no mesmo instante — e reentrou, dessa vez no meu cu, gemi. Ele começou devagar, e o desconforto inicial foi quase imperceptivel, de tão excitada que eu estava. Logo o que ficou foi só uma sensação densa, profunda, de um jeito que é diferente de tudo.
Ele me deu o bullet de volta.
Eu comecei a me masturbar enquanto ele se movia, e a combinação das duas sensações era obscena no melhor sentido possível, e eu ouvia a respiração dele ficando mais curta, mais urgente, e a minha acompanhava, e quando o segundo orgasmo chegou ele chegou junto com o dele, e a gente ficou assim — presos um no outro, sem fôlego, sem palavras.
Ele tirou a venda primeiro.
A luz do quarto pareceu intensa por um segundo. Eu piscei. Ele estava me olhando com aquele rosto — o rosto dele depois, que eu amo tanto — e desfez as algemas devagar, massageando os pulsos.
— Tá bem? — ele perguntou.
— Não, — eu disse. — Estou ótima.
Ele sorriu. Aquele sorriso.
Casamento de anos. E ainda assim.
Ainda assim.
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