Marcelo ajeitou o chapéu de palha torto na cabeça e riu quando viu Diego se aproximando com dois copos de quentão.
— Toma, antes que esfrie — Diego entregou o copo, os dedos roçando de leve nos dele. Cinco anos de casados e aquele contato simples ainda fazia alguma coisa no estômago de Marcelo.
— Cadê a coragem de vestir aquela camisa xadrez que eu comprei? — Marcelo provocou, encostando o ombro no dele.
— Guardei pro São João do ano que vem. Hoje eu vim só pra te ver dançando quadrilha e fazendo média com as crianças da vizinha.
Eles ficaram ali, encostados na cerca de bambu, vendo as luzinhas e ouvindo a sanfona ao longe. Diego passou o braço pela cintura de Marcelo, um gesto quase automático depois de tanto tempo juntos, mas que ainda carregava intenção.
— Sabe o que eu tava pensando enquanto te via mexendo a pipoca lá na barraca? — Diego falou baixo, a boca quase na orelha dele.
— O quê?
— Que suas mãos são bem hábeis. Pra tudo.
Marcelo riu, mas sentiu o corpo esquentar um grau. — Tá insinuando alguma coisa?
— Eu nunca insinuo. Eu afirmo. — Diego deixou a mão descer, discreta, por baixo da mesinha de madeira onde tinham acabado de sentar pra comer canjica, os dedos encontrando a coxa de Marcelo por dentro da calça jeans.
Marcelo travou por um segundo, olhando ao redor — ninguém prestando atenção, todo mundo distraído com a quadrilha — e deixou a perna se abrir um pouco mais, permitindo.
— Você tá louco — sussurrou, mas sem tirar a mão dele dali.
— Um pouco. Faz cinco anos e eu ainda fico assim só de te ver rindo. — Diego apertou de leve, subindo a mão até sentir o volume crescendo no jeans de Marcelo, e ele mesmo teve que segurar a respiração.
— Se você continuar eu não vou conseguir levantar dessa mesa decentemente.
— Então vamos andar. — Diego se levantou primeiro, ajeitando a própria calça discretamente, e puxou Marcelo pelo braço.
Eles foram se afastando da festa, passando pelas barracas de milho, pelo pessoal jogando bingo, até o barulho ficar abafado atrás deles. Havia um corredor velho, sem luz, meio escondido atrás de um bosque de mangueiras, e foi pra lá que Diego guiou os dois.
Assim que ficaram fora de vista, Marcelo empurrou Diego contra a coluna de madeira e colou a boca na dele, um beijo que já começou faminto, as mãos dos dois se agarrando na cintura um do outro. Diego gemeu baixinho contra a boca dele, sentindo Marcelo já duro se encostando na sua coxa.
— Vem cá — Diego virou os dois, prensando Marcelo contra a coluna agora, a boca descendo pelo pescoço dele enquanto a mão já abria o botão da calça jeans.
— Você trouxe? — Marcelo perguntou, ofegante, sentindo a mão de Diego envolvendo ele por dentro da cueca.
— Sempre trago. — Diego tirou do bolso um sachê do Glissex, o lubrificante ultradeslizante que nunca saía da carteira dele desde que tinham descoberto na loja. — Cê acha que eu ia te trazer pra um cantinho escuro sem estar preparado?
Marcelo riu, tirando a própria calça o suficiente, apoiando as mãos na coluna enquanto Diego se ajoelhava na frente dele. A boca de Diego envolveu ele devagar, e Marcelo jogou a cabeça pra trás, tentando não gemer alto demais, a mão apoiada na madeira velha do coreto.
Diego não demorou muito ali — o desejo dos dois já estava alto demais pra prolongar. Ele se levantou, abriu o sachê e espalhou o lubrificante entre os dedos, preparando Marcelo com cuidado, sentindo ele relaxar aos poucos contra os dedos.
— Vira — Diego pediu, a voz rouca.
Marcelo se virou, apoiando as duas mãos na coluna, e Diego se posicionou atrás dele, passando o restante do Glissex em si mesmo antes de entrar devagar. A sensação foi imediata — nenhum atrito, só aquele deslizar suave que fez os dois soltarem o ar ao mesmo tempo.
— Porra, Diego — Marcelo gemeu baixinho, sentindo ele entrar por completo, o corpo se ajustando sem esforço.
— Tá bom assim? — Diego perguntou, já começando a se mover, as mãos firmes na cintura dele.
— Tá gostoso demais — Marcelo respondeu, empurrando o quadril pra trás, buscando mais.
Diego acelerou o ritmo aos poucos, sentindo cada estocada entrar fácil, gostosa, o corpo de Marcelo respondendo a cada movimento com pequenos gemidos que ele tentava abafar mordendo o próprio braço. As mãos deles se entrelaçaram na coluna de madeira, os corpos suados colados um no outro, o som distante da sanfona se misturando com a respiração pesada dos dois.
— Cinco anos e você ainda aperta desse jeito — Diego gemeu no ouvido dele, sentindo o próprio corpo já perto do limite.
— Cala a boca e continua — Marcelo riu entre os gemidos, e Diego obedeceu, aumentando o ritmo até os dois chegarem juntos, abafando os gemidos um no ombro do outro, o corpo tremendo de leve enquanto o barulho do arraiá continuava lá longe, alheio a tudo aquilo.
Depois, ainda ofegantes, ajeitaram as roupas rindo baixinho como dois adolescentes que aprontaram alguma.
— Bora voltar antes que sintam nossa falta — Diego disse, dando um último beijo demorado.
— Só se você prometer o mesmo depois da quadrilha.
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