Juliana e Thiago se conheceram aos catorze anos, numa festa de escola — ele tímido demais pra tirar ela pra dançar quadrilha, ela insistente demais pra deixar ele fugir daquilo. Dez anos depois, ainda riam lembrando como ele pisou no pé dela três vezes seguidas naquela noite. Eram desse tipo de casal que virou íntimo de tudo: sabiam o pedido um do outro no restaurante, terminavam frase um do outro, e depois de tanto tempo juntos, também sabiam exatamente onde apertar pra tirar o fôlego do outro.

Naquela manhã, Juliana acordou mais cedo que o normal, olhando pra ele ainda dormindo, e teve uma ideia. Foi até a gaveta onde guardava as coisas da loja — comprava sempre que passava lá, mais por curiosidade do que necessidade — e achou o vale que tinha pego na última promoção. No vale estava escrito - “Hoje quem comanda a noite é você.” Do lado, o desenho de um chicotinho fininho, quase uma provocação.

Ela sabia da rotina dele de cor. Todo santo dia, antes de entrar na oficina, Thiago parava na padaria da esquina pra comprar pão e um café, e sempre pagava com o cartão que guardava no mesmo bolso da carteira. Foi fácil aproveitar o momento em que ele foi escovar os dentes pra enfiar o papelzinho ali, bem coladinho no plástico do cartão, onde ele não teria como não ver.

Ela saiu de casa antes dele, o coração batendo um pouco mais rápido de expectativa, imaginando a cara que ele ia fazer.

Foi só às dez da manhã que o celular dela vibrou.

“Achei um negócio na minha carteira agora. ‘Hoje quem comanda a noite é você.’ Tem certeza disso?”

Ela sorriu sozinha na frente do computador, lendo e relendo a mensagem, imaginando ele parado no meio da padaria, o cartão na mão, aquele calor subindo do jeito que ela conhecia tão bem.

“Essa noite, você decide tudo. Cada movimento. Vai fazer o que quiser comigo.”

Do outro lado, Thiago ficou parado, o pão ainda embaixo do braço, sentindo o estômago revirar de um jeito bom. Não era só a proposta — era o jeito como ela sempre conseguia virar o dia dele de cabeça pra baixo com uma frase só. Respondeu, já sentindo a calça apertar um pouco:

“Você não sabe o que tá começando. Já vou avisando: hoje eu não vou ter pressa nenhuma.”

A tarde inteira foi assim — mensagens indo e vindo entre um cliente e outro na oficina, entre uma reunião e outra no trabalho dela. Ele descrevia devagar tudo que queria fazer quando chegasse em casa; ela respondia contando como o corpo dela já estava reagindo só de imaginar, cada mensagem deixando o dia mais lento, mais insuportável de esperar.

Perto de bater o expediente, Thiago passou na loja perto da oficina — não era a primeira vez que entrava ali, mas hoje foi com um propósito bem definido. Escolheu uma algema de metal reforçada, e parou também na prateleira dos géis, pegando um vidrinho pequeno de sugador líquido, que tinha visto uma vez a vendedora explicando: um gel que provoca uma pulsação intensa tanto no clitóris quanto no pênis, e que também podia ser usado no sexo oral. Guardou tudo discretamente na mochila, sentindo o peito acelerar só de pensar na noite.

Quando ele estacionou a moto na garagem, já passava das sete. A casa estava com a luz baixa, só o abajur da sala aceso, e Juliana esperava sentada no sofá, de camisola fina, uma taça de vinho ao lado que ela mal tinha tocado — estava concentrada demais ouvindo o barulho da porta abrir.

— Trouxe o que eu pedi? — ela perguntou, se levantando devagar, os olhos já brilhando de expectativa.

Ele tirou a sacola da mochila sem dizer nada, só olhando pra ela com aquele sorriso que ela conhecia de cor, o mesmo que ele dava quando tinha alguma coisa planejada.

— Então essa noite é sua — Juliana disse baixinho, se aproximando, deixando ele puxar ela pela cintura.

O beijo começou devagar, quase contido, como se os dois quisessem aproveitar cada segundo antes de deixar tudo acelerar. As mãos dele foram subindo pelas costas dela por cima da camisola, sentindo a pele arrepiar sob o tecido fino, enquanto ela se apertava contra o corpo dele, sentindo o quanto ele já estava duro só daquele contato.

Thiago guiou ela até o quarto, sentando na beirada da cama e puxando ela pra ficar de pé na frente dele.

— Sobe aqui — ele pediu, a voz mais grave que o normal, e ela obedeceu, subindo na cama e deitando, sentindo o coração acelerar quando ele pegou a algema e prendeu os pulsos dela na cabeceira, com cuidado, testando se estava confortável antes de apertar de vez.

— Hoje quem decide sou eu — ele repetiu a frase do vale, sorrindo, descendo a boca pelo pescoço dela devagar, sentindo ela se arrepiar inteira só com aquele começo.

Ele foi tirando a camisola aos poucos, beijando cada pedaço de pele que ia aparecendo, sem pressa nenhuma, ouvindo os gemidos baixinhos dela crescendo conforme ele descia. Quando chegou entre as pernas dela, parou só pra pegar o vidrinho do sugador, espalhando uma quantidade pequena na ponta dos dedos antes de tocar a boceta dela, QUE DELICIA, ela estava já molhadinha, do jeito que deixava o pau dele latejando.

Quando ele passou o gel, oefeito foi quase imediato — uma pulsação gostosa, um formigamento que fez Juliana arquear as costas e puxar a algema sem conseguir se soltar.

— Thiago… — ela gemeu, a voz já embargada.

— Calma, amor. A noite é longa. — Ele sorriu contra a pele dela antes de descer com a boca, sentindo o próprio efeito do gel também nos lábios, aquela pulsação que deixava cada movimento mais intenso, cada reação dela mais forte. Ela puxava os pulsos presos, o corpo todo tenso de prazer, implorando baixinho pra ele não parar, ele aumentou o ritmo, e quando ela estava quase gozando, ele parou. Provando cada segundo daquele controle que ela tinha entregado pra ele.

Quando ele finalmente subiu, a beijou intensamente, um beijo quente, apaixonado, cheio de desejo. Eles pararam por um segundo pra ele passar um pouco do gel nele mesmo antes de entrar nela devagar, os dois soltaram o ar ao mesmo tempo, sentindo aquela pulsação amplificada nos dois corpos se encontrando.

— Solta minha mão — ela pediu, quase sem voz.

— Ainda não — ele sussurrou no ouvido dela, começando a se mover devagar, sentindo cada movimento mandar uma onda de prazer que fazia os dois perderem o fôlego junto.

Ele foi aumentando o ritmo aos poucos, sentindo ela se contorcer embaixo dele, os pulsos ainda presos na cabeceira, os gemidos dela ficando mais altos a cada estocada, até que ele não aguentou mais ver ela implorando daquele jeito e soltou a algema, deixando as mãos dela finalmente agarrarem as costas dele com toda a vontade acumulada do dia inteiro de mensagens.

Era tudo muito intenso, buceta pulsando, pau pulsando, o tesão de ambos acumulado. Ele segurou o rosto dela com uma das mãos, a outra apoiou na cama, de maneira que ficasse mais inclinado e olhando dentro do olho dela, começou a meter nela com profundidade e intensidade. Assim os dois se moveram juntos até o final, os corpos suados colados, até chegarem quase ao mesmo tempo, ofegantes, rindo baixinho um contra o pescoço do outro, do jeito que só quem se conhece há dez anos consegue rir depois de tanta intensidade.

— Você lembrou certinho como eu gosto — ela sussurrou, ainda tentando recuperar o fôlego.

— Eu nunca esqueci nada seu. Só esperei o momento certo pra provar de novo.

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