Eu nunca fui do tipo que planeja essas coisas.
Caio tinha vinte e dois anos, cabelo bagunçado, aquele sorriso levemente torto que parecia dizer eu sei exatamente o que você está pensando — e o pior é que sabe mesmo. A gente se conheceu há três semanas, numa festa de uma amiga comum, e desde então a tensão entre nós era uma coisa de outro mundo, que respirava nos espaços entre uma mensagem e outra, nas olhadas que duravam um segundo a mais do que deveriam.
Quando ele me convidou pra sair numa sexta, meu coração fez aquela coisa idiota de acelerar antes mesmo de eu responder.
Escolhemos um bar no centro — daqueles com luz baixa, música boa, cerveja gelada. Eu tinha vinte e seis anos e sabia reconhecer quando uma saída “casual” não era casual nenhuma. Me vesti com isso em mente: vestido preto curto, sem sutiã, cabelo solto. Cheguei cinco minutos depois dele de propósito, só pra ter o prazer de ver a expressão no rosto quando me viu entrar.
Valeu a pena.
Ele ficou me olhando com uma vontade tão transparente que eu senti minha calcinha umedecer ali mesmo, antes de eu sequer sentar.
A noite foi daquelas que parecem acontecer numa frequência diferente. A gente ria de qualquer coisa, ficava perto sem motivo, os joelhos se tocando embaixo da mesa sem nenhum dos dois recuar. A segunda cerveja desceu enquanto ele contava alguma história e a mão dele pousou no meu joelho de forma distraída — ou fingindo distração — e subiu devagar, centímetro por centímetro, enquanto ele continuava falando como se nada estivesse acontecendo.
Eu mordi o lábio inferior e deixei.
— Você tá ouvindo alguma coisa do que eu to falando? — ele perguntou, com aquele sorriso torto.
— Não — respondi, completamente honesta, e dei uma mordiscada na orelha dele.
Ele de contorceu e riu. E então inclinou o rosto pro meu e me beijou ali mesmo, no meio do bar barulhento, com a mão ainda na minha coxa e eu com o coração na garganta. O beijo começou devagar e foi ficando fundo, urgente, com gosto de cerveja e de querer.
Quando ele se afastou, eu estava com a respiração curta.
— A gente vai ter que sair daqui — eu disse.
— Ainda não — ele respondeu.
Fui entender o que ele quis dizer vinte minutos depois, quando ele sugeriu um lugar perto — um pub menor, mais escuro, com um corredor comprido que levava ao banheiro. Eu o segui sem questionar, e quando chegamos no fundo do corredor, ele me puxou pro canto com uma segurança que me fez ficar completamente mole.
— Caio — eu comecei.
— Fica quietinha — ele murmurou no meu ouvido, e eu fiquei.
Me encostou na parede e ajoelhou no chão sem cerimônia nenhuma, levantando a barra do meu vestido. Quando percebeu que eu estava completamente encharcada, ele olhou pra mim de baixo com uma expressão que me fez querer sumir de vergonha e de tesão ao mesmo tempo.
— Que molhadinha — ele disse baixinho, como se fosse pra ele mesmo.
E então a língua dele tocou meu clitóris e eu mordi o punho pra não fazer barulho.
Ele sabia o que estava fazendo. Não era apressado, não era mecânico — era como se ele tivesse todo o tempo do mundo ali naquele corredor de bar, com pessoas passando a dez metros, com o risco absurdo de qualquer um aparecer. A língua dele trabalhava em círculos lentos que iam ficando mais precisos enquanto eu tentava controlar a respiração e falhava miseravelmente. Segurei no cabelo dele com força, e ele gemeu contra mim, o som vibrando direto onde eu mais precisava.
Quando parei de conseguir ficar em pé direito, ele levantou.
— Sua vez — eu disse.
Me ajoelhei ali mesmo, no chão frio, sem pensar duas vezes. Abri o zíper da calça dele e quando o pau dele apareceu, grosso e já completamente duro, senti aquela pontada deliciosa no fundo da barriga. Passei a língua da base até a ponta devagar, ouvindo ele prender a respiração acima de mim, e então tomei tudo de uma vez.
Ele gemeu muitíssimo baixo, a mão fechando no meu cabelo.
Fiz isso por um tempo que perdeu completamente o sentido — escutando a respiração dele ficar cada vez mais pesada, sentindo quando ele estava perto demais e recuava de propósito, adorando ter esse controle. Quando parei, ele estava com os olhos escuros e a mandíbula travada.
— A gente vai sair daqui agora — ele disse. Não foi pergunta.
O uber demorou quatro minutos. Pareceram quarenta.
No banco de trás do carro ele ficou com a mão na minha coxa o tempo todo, os dedos traçando círculos distraídos que faziam tudo dentro de mim ficar tenso e ansioso. Eu fiquei olhando pela janela fingindo calma enquanto a calcinha estava completamente inutilizável.
Meu apartamento. A porta mal fechou.
Ele me empurrou contra a parede do corredor e me beijou com tudo que tinha segurado durante o trajeto — fundo, com as mãos no meu rosto e depois no meu cabelo e depois descendo pelas minhas costas até o meu traseiro, que ele apertou com uma vontade que me fez gemer na boca dele. Tirei o vestido por conta própria. Ele ficou me olhando por um segundo, inteiro, com aquela expressão de quem está catalogando detalhes.
— Meu Deus, Marina.
Me fez bem demais ouvir meu nome assim.
Fomos pro quarto tropeçando. Ele tirou a camiseta e eu fui direto pra fivela do cinto enquanto ele desafiava o sutiã imaginário que eu não estava usando, e então a gente estava na cama e ele estava entre as minhas pernas e eu já estava tão pronta que doia de querer.
E foi exatamente nesse momento que lembrei.
— Espera — falei, e ele parou imediatamente, os olhos perguntando. — Fica aqui.
Me levantei, fui até a gaveta da minha mesa de cabeceira e tirei a caixinha rosa. Quando voltei, ele estava sentado na cama com uma expressão misturada de curiosidade e de homem que acabou de ser interrompido.
— O que é isso?
— Fody — eu disse, abrindo a caixa com uma calma que eu não estava sentindo. — Vibrador de casal.
Ele ficou me olhando.
— De casal como?
Você já vai ver — o formato curvo que abraçava por dentro e por fora ao mesmo tempo, um motor que ficaria pressionado contra o meu ponto G (que permaneceria entre nós durante a penetração, fazendo ele sentir também a vibração) e o sugador que envolveria meu clitóris.
Quando terminei, ele olhou pro Fody. Depois olhou pra mim.
— Liga isso logo — ele disse.
Ri. Me deitei de volta na cama e posicionei o aparelho com cuidado — a ponta interna deslizando pra dentro de mim devagar, se acomodando no ângulo certo, o sugador envolvendo meu clitóris num encaixe que me fez fechar os olhos e soltar o ar pelos lábios. Quando encontrei a velocidade mais baixa no controle e liguei, o som foi um sussurro discreto e a sensação foi absolutamente nada discreta.
— Nossa — eu ouvi minha própria voz sair diferente.
Caio ficou me observando com uma atenção total que me deu quase tanta vontade quanto o vibrador em si. Havia algo incrivelmente íntimo em estar assim diante dele — completamente vulnerável, deixando aparecer tudo que eu estava sentindo no rosto.
Ele se aproximou, me beijou com calma, e foi descendo pela minha garganta, pelo meu peito, enquanto o Fody fazia seu trabalho silencioso e devastador entre minhas pernas. Eu já estava arqueando e quase gozando quando ele se posicionou e entrou em mim devagar.
O gemido que saiu da minha garganta foi involuntário e ridiculamente alto.
A sensação era impossível de descrever de forma justa. A parte interna do vibrador pressionando meu ponto G de dentro enquanto o pau dele me preenchia, o sugador pulsando no meu clitóris com aquela sucção ritmada que me deixava literalmente sem pensamento — eram três pontos simultâneos, três fontes de prazer que se sobrepunham e se multiplicavam numa equação que meu cérebro simplesmente não conseguia processar.
E então Caio gemeu.
— Caralho — ele disse, baixinho, quase pra si mesmo, e eu entendi que ele estava sentindo a vibração também, a parte do aparelho entre nós transmitindo o pulso direto pra ele. Ele ficou imóvel por um segundo apenas, registrando, e então começou a se mover.
O que se seguiu foi uma das experiências mais completamente desorientadoras da minha vida, e eu digo isso como elogio absoluto.
Cada movimento dele empurrava a parte interna do Fody contra meu ponto G num ângulo que me fazia ver claramente por que as pessoas escrevem livros sobre essa região específica do corpo feminino. O sugador não parava, implacável e preciso, e eu fui ficando cada vez mais sem capacidade de controlar qualquer coisa — nem os sons que eu fazia, nem as palavras que saíam, nem as minhas próprias reações.
— Não para — eu estava dizendo, sem saber exatamente quando tinha começado. — Por favor, não para, Caio—
Ele não parou.
Aumentei a velocidade do vibrador e me arrependi e não me arrependi ao mesmo tempo porque a intensidade subiu de um degrau pra um prédio inteiro e eu fechei os olhos e segurei os lençóis e simplesmente fui.
O orgasmo veio em ondas, que é a única forma honesta que consigo descrever. Não foi uma coisa só — foi uma sequência de colapsos, cada um saindo do anterior, enquanto eu arquejava e apertava e ele continuava se movendo através de tudo, gemendo também agora, menos contido, e a vibração entre nós devia estar fazendo algo sério porque ele perdeu o ritmo e encontrou um novo, mais urgente, e então—
Ele enterrou fundo e ficou, e o som que saiu dele foi completamente satisfatório de ouvir.
Ficamos assim por um tempo que não me dei ao trabalho de medir. Eu com a respiração destruída, ele com o rosto enterrado no meu pescoço. O Fody ainda ligado na velocidade mais baixa, que agora parecia quase carinhoso.
— Marina — ele falou eventualmente, a voz rouca.
— Hm.
— Que DE-LI-CIA. - Disse ele, ritmado
Me virei de lado pra olhar pra ele — o cabelo bagunçado, o sorriso torto, aquela expressão de quem acabou de entender que o plano mudou.
Vinte e dois anos. Sorriso levemente torto. E agora, aparentemente, capacidade ilimitada de me surpreender.
Desliguei o Fody e me aninhei mais perto.
Ia ser uma noite longa.
